Musicas da Semana

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Deep Purple: "Perfect Strangers" é sobre reencarnação?



Em 1984, após oito anos de “descanso”, o DEEP PURPLE  voltava a ativa com “Perfect Strangers”, até hoje o melhor álbum produzido pela banda após o retorno. A faixa título (um dos poucos registros sem solos individuais), possui uma letra digna de um ressurgimento: trata-se de uma metáfora à reencarnação, sintetizada pela oposição entre a vida anterior e a atual - permanecendo osindivíduos “estranhos” um ao outro, segundo o site www.lyricinterpretations.com.
Referências como “Você consegue lembrar meu nome?”, “Sombras de outro dia” e “Devemos permanecer perfeitos estranhos”, entretanto, parecem fazer alusões a questões mais “terrenas” do que à metafísica em si...
Perfeitos Estranhos
Você consegue se lembrar, lembrar meu nome?
Enquanto eu fluo atravéz de sua vida
Por mil oceanos eu voei, oh
E frios, frios Espíritos de gelo
Toda a minha vida
Eu sou o eco de seu passado
Estou devolvendo o eco de um ponto no tempo
Rostos distantes brilham
Mil guerreiros que eu conheci, oh
E rindo enquanto os espíritos aparecem
Toda sua vida
Sombras de outro dia
E se você me ouvir falando ao vento
Você tem que entender
Nós devemos permanecer
Perfeitos estranhos
Eu sei, eu devo permanecer dentro deste silencioso
poço de sofrimento
Uma trança de prata pendurada pelo céu
Tocando mais do que você vê
voz do tempo em sua mente, oh
Está sofrendo com os mortos da noite
Preciosa vida (Suas lágrimas estão perdidas na chuva que cai)
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terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Rock brasileiro não seria o mesmo sem Raul Seixas, diz biógrafo

Autor de 'Baú do Raul revirado' fala da importância do artista baiano.
Livro, peça e até passeata homenageiam 20 anos da morte do músico.


Sempre há uma canção de Raul Seixas para algum momento da vida. A conclusão é do jornalista Silvio Essinger, autor de “O baú do Raul revirado” (2005), uma reedição do material biográfico do músico baiano organizado por Tárik de Sousa em 1992. “Vinte anos depois de sua morte, a importância dele no cenário nacional continua forte”, diz.


Foto: Ivan Cardoso/Divulgação

Raul Seixas em foto de Ivan Cardoso à mostra no Museu Afro Brasil, em São Paulo. (Foto: Ivan Cardoso/Divulgação)


Gravado por bandas de rock como o De Falla (“Como vovó já dizia”) à dupla sertaneja Chitãozinho e Xororó (“Tente outra vez”), Raulzito passou a fazer mais sucesso depois de morto (no dia 21 de agosto de 1989), segundo Essinger. “Poucos artistas foram gravados por esse espectro todo da música brasileira. Ele ficou muito famoso no começo dos anos 70, mas comercialmente a coisa foi ladeira abaixo. Depois de morto, ele teve um sucesso que jamais poderia imaginar.”

Mulheres no Rock

Resistência em um meio machista...


Com características libertárias e de contestação ao sistema pré-estabelecido, o Rock se firmou ao longo das décadas com características essencialmente machistas. Apesar de toda a agitação social dos anos 60 em torno da igualdade de condições entre homens e mulheres, elas aparecem quase sempre relegadas a um segundo plano.
No Heavy Metal, estas diferenças são mais evidentes e as bandas femininas continuam sendo minoria. Essa presença só é mais democrática entre os músicos da era Punk, em grupos como X-Rays Specs, Siouxsie & The Banshees, Slits, X, Exene Cervenka e Poly Styrene.
Janis Joplin foi pioneira ao quebrar as barreiras do preconceito durante os anos dourados. Com uma voz poderosa e versões muito próximas ao blues, a cantora personificou a trinca sexodrogas e rock and roll até sua prematura morte, em 1970.
Cabe à Suzi Quatro, no entanto, a prerrogativa de ser a primeira roqueira com atitude e sonoridade verdadeiramente metálicas. Formou sua primeira banda com as irmãs, aos 15 anos. Já como artista solo, lança o single, "Rolling Stone" (72), mas a explosão só viria no ano seguinte, com "Can the Can", e os clássicos Devil Gate Drive e a insuperável 48 Crash.
Idealizado pelo empresário e produtor Kim Fowley, o grupo The Runaways surgiu em 75, trazendo graça e sensualidade ao universo dos headbangers. Apesar da proposta visivelmente comercial, as garotas conseguiram fugir do estigma de banda manufaturada.
A fama do grupo começou a se firmar em apresentações nos clubes de Los Angeles. No ano seguinte, sai o primeiro álbum, "Runaways", que trazia Joan Jett (vocais e guitarras), Sandy West (bateria), Cherie Currie (vocais), Lita Ford (lead guitar) e Jackie Fox (baixo).
A partir de "Queens of Noise" (77), segundo álbum da banda, começam as brigas internas. A rhythm guitar Joan Jett começa a se sobressair também como cantora e, após a saída de Currie, assume definitivamente os vocais. Começam as mudanças de formação. Ao todo, três baixistas passaram pelo grupo: Jackie Fox, Laurie McCallister e Vicki Blue.
A turnê japonesa agrava a crise interna, mas não impede o lançamento de um disco ao vivo. "And Now... The Runaways", de 78, marca o declínio da banda, que lançaria ainda "Flaming Schools" (80).
Com o fim do Runaways, Jett partiu para Londres, onde ensaiou uma parceria com os ex-Sex Pistols Steve Jones e Paul Cook, o fracassado compacto "You Don't Own Me". De volta à Califórnia, lança "Bad Reputation". Em 82, I Love Rock And Roll chega ao topo das paradas americanas. Os álbuns seguintes tem pouca repercussão e nem mesmo uma copilação de covers gravada em 90, intitulada "Hit List", conseguiu repetir o sucesso.
Há cerca de quatro anos, Jett se uniu ao The Gist, num tributo ao vocalista e líder da banda, Mia Zapata, raptado e morto em Seattle. Além de ser uma das poucas em atividade, preconizou o movimento Riot Grrrls, de bandas raivosas encabeçadas por mulheres. A identificação com a nova geração é tanta que representantes desse estilo - L7, Bikini Kill e Babes in Toyland - fizeram participações em seu disco "Notorious" (94).
Outra que tentou seguir os passos gloriosos do Runaways foi Lita Ford. Intensificando o estereótipo de wild-girl, Lita conseguiu muito mais notoriedade pelos seus atributos físicos do que propriamente pela música. "Out for Blood" marcou o início de sua carreira solo, em 83.
Lita teve repercussão com "Dancing on the Edge" (84), "Lita (88), Stilleto" (90), mas as histórias envolvendo as gravações e sua vida particular sempre despertaram maior interesse. Os romances com rockstars, por exemplo, compõem um capítulo à parte em sua biografia. Além da união com o guitarrista do WASP, Chris Holmes, Lita namorou o guitarrista Tony Iommi, do Black Sabbath, e Nikki Sixxi, do Motley Crue.
Algumas de suas parcerias musicais também tornaram-se célebres. Quem não se comoveu com a melosa Close My Eyes Forever, gravada ao lado do madman Ozzy Osbourne no final dos anos 80? O hit chegou ao topo das paradas e deu uma guinada na carreira da dupla.
A música Dangerous Curves, composta por Sammy Hagar para homenageá-la, acabou nomeando um de seus álbuns, lançado em 91. Vez por outra, Lita ressurge, mas sem o mesmo brilho do passado. Casada com o ex-vocalista do Nitro, Jim Gillette desde 94, ela curte o primeiro filho, nascido há dois anos, enquanto adia os planos de retorno ao showbusiness.
Mas o vanguardismo das bandas femininas de heavy metal não é monopólio americano. No embalo da New Wave of British Heavy Metal (NWOBHM) - que revelou gigantes como Iron MaidenJudas PriestDef Leppard, Venon e Saxon, surgidos na metade da década de 70 -, as inglesas também deram seu recado com competência e muita personalidade.
De uma despretensiosa banda de colégio, chamada Painted Lady, surge o Girscholl em 78. Di "Enid" Williams (baixo) e Kim McAuliffe (guitarra e vocais), Denise Duffort (bateria) e Kathy Valentine (guitarra) - posteriormente substituída por Kelly Johnson -, conseguiram aliar a fúria punk às bases de metal, revelando uma insuspeita qualidade instrumental, sem qualquer apelo sexual num universo repleto de posers.
O reconhecimento do público viria no ano seguinte, quando excursionaram com os "padrinhos" Motorhead. O disco "Demolition" foi gravado pela independente Bronze Records, a mesma de Lemmy Kilmister e sua trupe na época. Em 81, sai o álbum "Hit and Run" e as duas bandas lançam um EP juntas "The St. Valentine Day's Massacre".
Durante a turnê pelo Japão, acontece a segunda baixa: sai Enid e em seu lugar entra Gil Weston. Com os discos "Screaming Blue Murder" e "Play Dirty" elas atingem o ápice. O êxito não impede que Kelly abandone o posto e o grupo é oficialmente dissolvido em 84.
Dentro da cena britânica, as adolescentes da Rock Godess obtiveram algum respaldo do público até metade da década de 80. Formado pela baixista Tracy Lamb e pelas irmãs Jodie e Julie Turner, respectivamente guitarrista e baterista, o primeiro contrato do grupo só foi assinado em 83, quase cinco anos após a formação.
Os anos 80 foram mais frutíferos para as bandas femininas e muitas pegaram carona na onda glam do Hard Rock. Com um som explicitamente comercial e muita maquiagem, o Vixen vendeu milhões com seu disco de estréia, em 88. Janet Gardner (vocais), Jan Kuehnemund (guitarra), Share Pedersen (baixo) e Roxy Petrucci (bateria) não conseguiram repetir o feito com "Ver It Up" (90) e "Tangerine" (98).
Sob a produção de Marty Friedman, que logo em seguida entraria no Megadeth, a garotas do Phantom Blue lançaram o primeiro disco em 89. Composto pela vocalista Gigi Hangach, a baterista Linda McDonald, a baixista Kim Nielsen e as guitarristas Michele Meldrum e Nicole Couch, o trabalho seguinte, "Built to Perform", foi prensado com atraso e só chegou às lojas em 93. Logo após, Nielsen foi substituída por Rana Ross.
As mulheres que construíram carreiras de maior longevidade são justamente as que optaram por posturas mais pop. É o que comprova o Blondie, liderado pela cantora Deborah (Debbie) Harry, que vendeu mais de 40 milhões de álbuns em todo o mundo. A turnê "No Exit", iniciada em 99, marca o retorno da banda aos palcos depois de 16 anos de silêncio.
Já o Heart, das irmãs Ann e Nancy Wilson, sempre privilegiou a parte instrumental das composições. O primeiro LP, "Dreamboat Annie" (76) trazia uma mistura de folk e hard rock, com destaque para os singles Crazy On You e Magic Man. O auge veio com "Bad Animal" (87). Tentando adaptar-se aos novos tempos, a dupla retomou suas raízes em Seattle (EUA).
A influência grunge é nítida em "Desire Walks On" (93), cuja faixa Lovemongers foi incluída na trilha do filme Singles, dirigido por Cameron Crowe. O baixista do Led Zeppelin, John Paul Jones, se encarregou da produção do acústico "The Road Home".
Uma das poucas remanescentes da linha Hard Rock, a alemã Doro Pesch alia beleza, carisma e talento ao profissionalismo da banda que a acompanha. Depois de algum sucesso nos Estados Unidos no início dos anos 90 como Warlock, a banda mudou o nome para Doro.

Galeria de fotos The Offspring

Festival dos Fanáticos, Florianópolis, SC, 07/02/14

Fotos: Arthur Miranda (diariodacidade@diariodacidade.com.br)
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